Sexta, 20 Setembro 2019 08:55

COMBATE A CORRUPÇÃO: | Polícia Civil e SESP deflagram operação Pharmakon e cumprem mandados judiciais por desvio de medicamento Destaque

Escrito por Ascom/Polícia Civil

Uma ação integrada coordenada pela Delegacia Geral de Polícia Civil, por meio da DRCAP (Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Administração), a DECOR (Divisão Especial de Combate à Corrupção) e SESP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) por meio do DEINT (Departamento de Inteligência), resultou no cumprimento de nove mandados judiciais na manhã desta quinta-feira, dia 19. A ação é oriunda de uma investigação que apura desvio de medicamentos do HGR (Hospital Geral de Roraima). Uma pessoa foi presa em flagrante, pois em sua casa foram encontrados medicamentos proscritos furtados.

COLETIVA – Os detalhes da operação policial foram anunciadas na tarde desta quinta-feira, durante coletiva a imprensa. Participaram da entrevista o secretário de Segurança, coronel Olivan Junior, a delegada geral em exercício, Elisa Reis Mendonça, o comandante da Polícia Militar, coronel Elias Santana e o delegado da DRCAP, João Evangelista, que presidiu as investigações.

Para o cumprimento dos mandados judiciais, o trabalho contou com o apoio de policiais de outras unidades da Polícia Civil, tais como DENARC (Departamento de Narcótico), NI (Núcleo de Inteligência), DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher), DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecente), DGH (Delegacia Geral de Homicídios) e GRT (Grupo de Resposta Tática).

Foram realizadas buscas em dois setores do HGR, na sede da Rede Cidadania (unidade Cuidador de Idoso) no bairro Caranã e mais três endereços residenciais de servidores públicos da saúde.

A Justiça também decretou a prisão temporária de três funcionários do HGR envolvidos na subtração de medicamentos do setor de farmácia do hospital.

Os nomes completos dos presos não foram divulgados, somente as iniciais, uma vez que as investigações terão desdobramentos. São eles: o auxiliar de serviços de saúde, F.G.M.S., o auxiliar de enfermagem M.A.S.F., e o técnico em enfermagem E.S.S.

 INVESTIGAÇÃO - Há aproximadamente dois meses, a Polícia Civil, por meio da DRCAP vem investigando um esquema de desvio de medicamentos de elevado potencial anestésico, que vinha ocorrendo nas dependências do maior hospital público do Estado.

As investigações iniciaram após o atendimento de um acidente de trânsito envolvendo uma servidora da área da saúde no final do mês de julho. No veículo dela foram apreendidos medicamentos proscritos. No dia seguinte a esse fato, foi registrada outra situação com a mesma servidora, desta vez na casa dela, em que também foram encontrados mais medicamentos.

A própria SESAU (Secretaria de Estado da Saúde) foi quem registrou Boletim de Ocorrência na DRCAP, relatando o sumiço de medicamentos e solicitando investigação.

De acordo com informações prestadas pelo presidente do inquérito que apura o caso, delegado de Polícia Civil João Evangelista, as investigações apontam que os medicamentos eram subtraídos do interior do HGR e vendidos a terceiros. Foi contatada inicialmente a participação de três servidores, sendo que um deles trabalhava no Trauma e outro no Centro Cirúrgico do Hospital.

Alguns funcionários da saúde prestaram esclarecimentos na DRCAP e durante a operação, para cumprir os mandados judiciais, medicamentos de uso interno do hospital foram encontrados em poder de um dos alvos da investigação, que foi preso em flagrante por tráfico de drogas, uma vez que o medicamento é classificado como droga psicotrópica. Esse funcionário foi autuado em flagrante e encaminhado para Audiência de Custódia. Os outros dois com mandados de prisão decretados foram encaminhados ao Sistema Prisional.

O delegado João Evangelista destacou que com a operação realizada hoje, foi possível entender como os acusados agiam para a prática do crime. O trabalho terá continuidade e poderá apontar outros envolvidos.

Foram apreendidos documentos e telefones celulares dos suspeitos. Todos eles serão submetidos à perícia para análise dos documentos e dos dados a serem extraídos dos telefones.

 PREJUÍZOS – O delegado João Evangelista disse que ainda não foram contabilizados os prejuízos financeiros causados ao erário público com o desvio dos medicamentos. Entretanto, destacou que as investigações apontaram que os suspeitos vinham praticando os furtos de medicamentos desde o mês de janeiro deste ano.

“Identificamos que eram desviados uma média de 20 frascos de medicamentos proscritos, por quatro vezes na semana. Estamos fazendo esse levantamento, mas de janeiro até agora, nos permite perceber que foi um volume muito grande de medicamentos furtados”, destacou.

O secretário de Segurança Pública, Olivan Júnior destacou que que mais grave que os prejuízos financeiros causados ao erário público, são os prejuízos causados aos cidadãos que precisam fazer uso dos medicamentos desviados do Hospital.

“São prejuízos incalculáveis. Pessoas em estado grave, precisando do medicamento, principalmente o de alto poder anestésico, usado para cirurgias. Ou seja, pessoas que vêm sofrendo com dores por falta do medicamento, cirurgias que foram canceladas. Um absurdo. O sistema de Segurança Pública está unido para combater a corrupção. Crimes como esses não podem continuar acontecendo e vamos combater de forma enérgica”, assegurou.

INTEGRAÇÃO – No início da manhã desta quinta-feira, as equipes da Polícia Civil com auxílio do Departamento de inteligência da SESP cumpriram nove mandados judiciais, sendo seis mandados de busca e apreensão domiciliar e três mandados de prisão temporária por 30 dias.

Para o delegado João Evangelista, a integração das instituições foi fundamental para o desfecho da operação. Segundo ele, a ação policial de hoje representa a fase descoberta da investigação.

“O apoio do Poder Judiciário e Ministério Público está sendo fundamental e se traduz em medidas enérgicas a fim de rechaçar qualquer tentativa de subverter a ordem”, esclareceu João Evangelista.

Para a delegada chefe da DECOR, (Divisão criada recentemente), Darlinda Viana, somente neste ano, a Polícia Civil já desencadeou três grandes operações policiais de combate à corrupção, sendo uma na Codesaima, outra na Coopebras e, agora, no HGR.

A delegada geral em exercício, Elisa Mendonça Reis, destacou a importância da integração das forças de Segurança no combate a Corrupção em Roraima.

“Trata-se de uma investigação extremamente importante, com resultados positivos. As equipes policiais estão de parabéns e vamos continuar trabalhando para que esses crimes sejam combatidos”, destacou.

Para Olivan Junior as investigações de combate à corrupção estão progredindo em diversas frentes de trabalho dentro do Estado.

“Estamos alinhados com as diretrizes do Ministério da Justiça no Combate à Corrupção e as ações de hoje significam o resultado de uma investigação minuciosa, para apurar crimes de peculato - furto, associação criminosa e tráfico de drogas, todos praticados nas dependências do HGR”, disse.

PHARMAKON - A Operação foi batizada de PHARMAKON, palavra oriunda do grego, que significa veneno ou remédio, “aquilo que tem o poder de transladar as impurezas”.