Sábado, 18 Mai 2019 21:08

CONECTANDO CONHECIMENTOS | Projeto beneficia servidores com disseminação de conhecimento Destaque

Escrito por VÂNIA COELHO
Os temas deste fim de semana foram doação de órgãos e salvando vidas Os temas deste fim de semana foram doação de órgãos e salvando vidas Eides Antonelli

 

O Salão Nobre do Palácio Senador Hélio Campos foi palco, na manhã deste sábado, 18, para a realização de duas palestras. A primeira abordou o tema ‘Doação de órgãos e tecidos para transplantes’ e foi proferida pela enfermeira da Central de Transplantes, Márcia Alencar. A segunda, ‘Salvando Vidas’, foi apresentada pelo subtenente do CBMRR (Corpo de Bombeiros Militar de Roraima), Miguel Arcanjo, e pelo sargento Leonardo Dias.

As palestras são realizadas em parceria com a Segad (Secretaria Estadual de Gestão Estratégica e Administração), Casa Civil e Secom (Secretaria de Comunicação), por meio do Conectando Conhecimentos com profissionais do Estado.

De acordo com o secretário de Comunicação, Markinhos Marques, o projeto é uma forma de melhorar a atuação dos servidores. “Estamos tentando cada vez mais capacitar o servidor público. É um trabalho do Governo do Estado na valorização do funcionalismo. Quando se fala em valorização, não é só a questão do salário, é a valorização também do profissional com oferecimento de conhecimento”, disse.

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS - Conforme explicou a enfermeira Márcia, o objetivo da doação é dar qualidade de vida ou melhorar a situação de quem está em uma fila de espera, podendo morrer a qualquer momento. “Com a doação, essa pessoa vai sobreviver”.

A enfermeira ressaltou que é difícil falar do tema porque aborda a morte. Para ser um doador é preciso avisar em primeiro lugar aos familiares. “A família tem que estar ciente. Toda uma logística é iniciada e os dados dessa pessoa são lançados em um sistema informatizado. O receptor precisa ter compatibilidade, para evitar maior rejeição. Ele será selecionado, comunicado, e vai para o hospital para esperar o órgão a ser captado”.

Ela explicou que, para doar, é preciso ter idade mínima de sete dias, além disso, ter nascido obrigatoriamente com nove meses. A idade máxima é de 65 anos. “Existem alguns casos que chamamos de critérios expandidos, em que o receptor, quando é inscrito, aceita receber órgãos de pessoas mais idosas”.

Vários órgãos podem ser doados: córneas, coração e válvulas, pulmões, fígado, rins, pâncreas, medula, ossos, cartilagens, pele. “Recentemente, no Rio de Janeiro, teve uma pessoa que doou para quase 100 pessoas. Não é que eu vá salvar 100 pessoas. Salvar algumas e melhorar a vida de outras. Por exemplo, a pele vai melhorar a qualidade daquele queimado, os ossos podem ser fragmentados e doados para fazer enxerto”.

No Brasil, são mais de 34 mil pessoas na fila esperando por um órgão, incluindo crianças. “Todo ano, a cada momento, são inscritas novas pessoas, porque o paciente recebe o diagnóstico que tem um órgão que não está bem. Ele é indicado para transplante, é inscrito na lista de espera do CTU (Cadastro Técnico Único). Existe o cadastro nacional e em cada Estado. Em Roraima, como não temos o Centro Transplantador, não temos essa lista de espera. Nossos receptores, quando têm o diagnóstico de que precisam de um transplante, vão para outro Estado e entram na fila de espera, mas começamos a captar órgão desde o ano passado e já fizemos uma captação este ano”.

Há onze anos, o autônomo Leonel Pereira passou pela experiência de ser doador. “Doei um rim para uma irmã. É uma experiência boa, de sucesso, por ter ajudado a salvar uma vida. Convivo com um rim somente e vivo igual quando tinha os dois. Não tenho nenhuma sequela”, frisou.

Para a estudante de enfermagem Taísa Amorim dos Santos, a palestra sobre doação veio somar na sua vida acadêmica. “Sempre gostei da área de saúde e acredito que a gente tem que ajudar outras pessoas. Já falei para minha família que sou doadora. Minha mãe e meu irmão estão cientes de que, caso eu venha falecer, podem doar tudo. Eu mesma já tive amigos que, infelizmente, faleceram por não ter o órgão compatível para fazer o transplante”, complementou.

SALVAMENTO DE VIDAS - A segunda palestra foi sobre primeiros socorros, comandada pelo subtenente Miguel Arcanjo e pelo sargento Leonardo Dias, do CBMRR. “Nós do Corpo de Bombeiros achamos muito importante toda ação, toda palestra que o Governo realiza, porque temos parceiros nas secretarias, no caso de um acidente, de um sinistro, de uma ocorrência, já temos pessoas com noção que vão auxiliar o Corpo de Bombeiros na sua atuação”, disse Arcanjo.

Segundo ele, com os conhecimentos de primeiros socorros, qualquer pessoa pode iniciar os procedimentos mais simples, em caso de queimaduras, cortes, desmaio, convulsão, RCP (Respiração Cardiopulmonar), ou RCR (Reanimação Cardiorrespiratória), Ovace (Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho), conhecida como engasgo.

“Derrubamos alguns mitos como colocar borra de café, ou colocar pasta em queimadura. O recomendado é colocar água corrente no local. Falamos de RCP, de ferimentos em tecidos moles, ferimentos abertos e fechados. Todas essas noções são importantes”, explicou.

A servidora Ciane Barros saiu satisfeita com as palestras e disse que lhe proporcionaram mais conhecimentos. “Eu já tinha algum conhecimento de massagem cardíaca, de alguns procedimentos de primeiros socorros. Hoje, reaprendi, porque quando a gente não pratica, acaba esquecendo”, disse. Ela lembrou ainda que salvou a vida da sua filha, que se engasgou com o leite, quando era bebê, e de sua mãe, que se engasgou com alimento.

“Hoje, aprendi mais noções de primeiros socorros. Podemos salvar vidas em nosso trabalho, em situações que podem ocorrer com qualquer pessoa a qualquer momento”, finalizou.