Sábado, 17 Agosto 2019 16:34

IMIGRAÇÃO VENEZUELANA | Governo de Roraima sugere acordo de cooperação técnica com a ONU Destaque

Escrito por WESLEY OLIVEIRA
Durante o encontro, o governador Antonio Denarium expôs as demandas de Roraima Durante o encontro, o governador Antonio Denarium expôs as demandas de Roraima Ederson Brito

Devido aos números alarmantes sobre os impactos causados pela imigração de venezuelanos no Estado de Roraima, o governador Antonio Denarium recebeu nesta sexta-feira, 16, no Palácio Senador Hélio Campos, o representante do Alto Comissariado da ONU (Organização das Nações Unidas) para Refugiados, Filippo Grandi.

O encontro contou com a participação da primeira-dama, Simone Denarium, da secretária do Trabalho e Bem-Estar Social, Tânia Soares, além da secretária de Articulação Municipal, Ilaine Henz, e do chefe da Casa Militar, coronel Elson Paiva.

Na ocasião, Denarium apresentou para a comitiva todas as demandas do Estado referentes aos impactos causados pela imigração.

Roraima recebe, atualmente, oito mil crianças venezuelanas no sistema de ensino estadual. Na área da saúde, 40% dos leitos dos hospitais são ocupados pelos venezuelanos; na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do HMINSN (Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazarth), cerca de 80% dos bebês atendidos são filhos de mães venezuelanas.

Além disso, no setor destinado ao auxílio dos casos de gravidez de alto risco, 65% dos atendimentos são de venezuelanas. Hoje existem aproximadamente 465 abrigados pelo Estado de Roraima, entre bebês, jovens e idosos. No sistema prisional, há cerca de 300 presos de nacionalidade venezuelana.

“Pedimos ajuda e agora pretendemos fazer um Acordo de Cooperação Técnica com a ONU, por meio do ACNUR, para que investimentos sejam feitos diretamente no Estado de Roraima, ou através de investimentos diretos da Organização”, explicou Antonio Denarium.

Outro ponto citado durante a reunião foi o aumento na taxa de desemprego e do índice de pobreza no Estado, que, segundo o governador, é também reflexo da crise imigratória.

“Nós saímos de uma taxa de desemprego de 8% para mais de 20%. Outra situação muito grave está sendo o aumento no índice de pobreza do Estado, com quase 200 mil pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. São esses números que nos levaram a solicitar essa ajuda que o povo de Roraima e os venezuelanos que aqui estão precisam”, ressaltou Denarium.

O objetivo principal do encontro foi sensibilizar o chefe do ACNUR, Filippo Grandi, a mobilizar recursos para que sejam feitos investimentos direto na estrutura do Governo de Roraima. Ele sinalizou positivamente sobre a questão.

“Estamos decididos a continuar a discutir com o Governo Federal maneiras de ajudar não somente individualmente os refugiados, mas também o Estado de Roraima, que é impactado e penalizado por essa presença. Existem mecanismos nacionais e internacionais que podemos mobilizar e vamos continuar em nível técnico essa discussão”, enfatizou.