Sexta, 10 Mai 2019 19:54

Denarium participa de discussão sobre crise venezuelana e o impacto em Roraima e no Brasil Destaque

Escrito por EDUMAR JUNIOR
Subcomissão temporária da Venezuela no Senado discute a crise provocada pelo volume de imigrantes venezuelanos em Roraima Subcomissão temporária da Venezuela no Senado discute a crise provocada pelo volume de imigrantes venezuelanos em Roraima Edilson Rodrigues/Agência Senado

O governador Antonio Denarium participou da Audiência Pública “A Crise na Venezuela e seu impacto no Brasil”, realizada pelo Senado Federal. Ele foi convidado pela Subcomissão Temporária sobre a Venezuela do Congresso Nacional, com a finalidade de discutir o tema conforme aprovado no Requerimento n° 001, de 2019-CRESTV, de autoria do senador pelo Estado de Roraima, Telmário Mota.

Denarium apresentou aos senadores os impactos que o Estado vêm sofrendo desde o início da imigração em massa dos venezuelanos. Ele pediu a ajuda dos parlamentares para angariar recursos junto ao Governo Federal.

Roraima é a porta de entrada dos venezuelanos no Brasil. A cidade de Pacaraima na fronteira, e a Capital Boa Vista são as cidades que mais foram afetadas com a crise migratória. Só nos últimos 12 meses aproximadamente 200 mil venezuelanos entraram no Estado.

“A taxa de desemprego no Estado saltou de 8% para 16% em dois anos causando um trauma na economia de Roraima. Na educação mais de 5 mil alunos filhos de venezuelanos estão estudando na rede de escolas estaduais. Na saúde 50% dos leitos hospitalares são ocupados por venezuelanos. Na UTI neonatal estão hoje 46 bebês, 40 filhos de venezuelanos. Hoje temos 300 venezuelanos no sistem prisional. A nossa população em Boa Vista aumentou em torno de 60 mil habitantes, de 520 mil para aproximadamente 580 mil habitantes. Nós não temos os recursos necessários para receber os venezuelanos que usam o Estado para entrar no Brasil. Pacaraima, nossa cidade na fronteira, recebe o primeiro impacto. Nós não temos infraestrutura de indústria e agronegócio pra absorver essa mão de obra que está entrando”, disse o governador.

Denarium pediu a ajuda dos parlamentares federais para que junto ao Governo Federal destinem os recursos para restituir a Roraima o que já foi gasto com venezuelanos. Segundo o governador, o Estado precisa no mínimo de R$ 30 milhões por mês para atender essa grave crise migratória sem precedente na história do País.

“É importante lembrar que a Venezuela não faz fronteira com Roraima e sim com o Brasil. O problema da imigração venezuelana não é só do Estado, é do Brasil. O Exército está fazendo um brilhante trabalho com a Operação Acolhida. Só que, nós precisamos de investimentos para manter a ordem e o serviço público funcionando em boas condições”, explicou.

O senador Telmário Mota, que preside a Subcomissão, disse que os senadores precisam ajudar no aparelhamento do Governo de Roraima para ele não só ter suporte a essas imigrações, mas para dar continuidades as atividades que lhe são competentes.

“Todos os serviços públicos do Estado estão saturados fruto dessa imigração desenfreada e Roraima não estava preparado para isso. A Operação Acolhida faz só o custeio. O Exército não entra com a saúde, não entra com o emprego, não entra com a escola. Então a situação de Roraima é preocupante e Precisamos levar essa demanda até o Presidente da República”, enfatizou.

Mecias de Jesus, senador por Roraima, elogiou a atuação da Operação Acolhida, mas destacou que os hospitais estaduais estão recebendo grande volume de pacientes, o que tem provocado superlotação nas unidades de saúde.

“Nos abrigos não têm médico, não têm ambulância, não paga segurança pública e nem professores. Tudo isso caiu nas costas do Estado e dos municípios. As demandas na saúde aumentaram, os crimes também. Não dá para o Governo Federal mandar R$ 223 milhões para Operação Acolhida e não mandar nada para o governador investir na saúde, na educação e na segurança pública”, afirmou Mecias.

O senador Flávio Bolsonaro disse que o Governo Federal está interessado em solucionar diversas questões do Estado, como a contribuição para a mudança da matriz econômica, a questão energética, bem como a transferência das terras e apoio ao agronegócio.