Domingo, 21 Junho 2020 14:11

RESPEITO ÀS TRADIÇÕES | Indígenas infectados com COVID -19 recebem atendimento humanizado no Hospital de Campanha Destaque

Escrito por RODRIGO SANTANA
Ao todo, foram disponibilizadas 80 redes aos indígenas, respeitando a cultura desses povos Ao todo, foram disponibilizadas 80 redes aos indígenas, respeitando a cultura desses povos William Roth

Roraima possui cerca de 70 mil indígenas de 11 etnias que se encontram espalhadas por várias regiões do Estado, ocupando 47% da área territorial. Em respeito à tradição desses povos, o Governo de Roraima em conjunto com a coordenação da Operação Acolhida implementou o método de atendimento humanizado na Área de Proteção e Acolhimento, também conhecida como Hospital de Campanha.

Enfermarias foram especialmente desenvolvidas com leitos-rede, respeitando a cultura e a tradição dos povos indígenas. No entendimento do governador Antonio Denarium, os indígenas merecem todo respeito e atenção especial. "Os pacientes indígenas com COVID-19 que forem internados no Hospital de Campanha poderão optar por ficar nessas enfermarias, para sua melhor comodidade", ressaltou.

Ao todo, o Hospital de Campanha disponibilizou 80 suportes com redes. Além disso, Denarium destacou o esforço para colocar um atendimento de médicos especializados com a ajuda de tradutores, que prestarão o apoio técnico aos pacientes indígenas quando for necessário. "Esse é um trabalho que já realizamos em nossas unidades de saúde de referência do Estado e que apresenta resultados positivos, devido à dedicação de uma equipe capacitada e especializada", complementou.

O coordenador da Operação Acolhida, general Antônio Barros, disse que a implantação de um atendimento especializado aos indígenas, com a utilização da rede, faz parte de um esforço conjunto importante, porque pode contribuir diretamente na recuperação desses pacientes. "Foi por esse motivo que decidimos implementar a ideia, pois o paciente indígena ao ficar internado se sentirá familiarizado e confortável mesmo estando dentro de um Hospital", ressaltou.

Ele frisou também que o trabalho de articulação com o Dsei [Distrito Sanitário Especial Indígena] e Funai [Fundação Nacional do índio] foi fundamental para a execução do método de atendimentos especializado. "Procuramos entender o processo de atendimento que é realizado com os indígenas. O índio poderá utilizar a rede por opção, conforme a sua necessidade do momento", explicou.

Atendimento humanizado no Hospital Materno-Infantil e no Hospital Geral de Roraima

No Hospital Materno-Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINSN), as gestantes indígenas contam com enfermarias com leitos e armadores de redes instalados. O dispositivo de humanização é uma forma de possibilitar conforto e familiarização, pois é dessa forma que os povos indígenas costumam dormir.

A Coordenação Indígena é responsável por ser elo entre paciente, Maternidade e Casa do Índio (Casai). O setor trabalha com o acolhimento logo na porta de entrada com a presença de intérpretes de Língua Indígena à disposição dos profissionais de saúde e usuários do SUS (Sistema Único de Saúde).

No Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento, o setor da Saúde indígena foi implantado em 2001. O serviço conta com a parceria da Casai, que disponibiliza mão de obra pra ajudar nos atendimentos.  A equipe é composta por antropólogo e gerente do serviço, técnicos de enfermagem, assistente administrativo e intérpretes de Língua Indígena.

Os indígenas têm direito à alimentação diferenciada quando não querem comer a mesma refeição destinada aos outros pacientes. Nas internações, se desejarem a presença de pajés, curandeiros, padres, pastores, terão acesso a esse serviço. O setor de saúde indígena também conta com um projeto de “quartos humanizados”, que são os quartos com sistema de redes.

 

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