Sexta, 22 Mai 2020 19:09

HEROÍNAS SEM CAPA | Voluntária destaca a relevância de ser uma doadora de leite materno Destaque

Escrito por MINERVALDO LOPES
Em Roraima, o Banco de Leite do Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth é responsável por atender as demandas das redes pública e privada de saúde   Em Roraima, o Banco de Leite do Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth é responsável por atender as demandas das redes pública e privada de saúde Ascom/Sesau

O sentimento de solidariedade sempre fez parte da vida de muitas doadoras de leite materno que ajudam a reforçar o estoque do HMINSN (Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth), unidade responsável por atender as demandas das redes pública e privada de saúde em Roraima. Entre essas mulheres fortes e batalhadoras, está a administradora Francis Olivia Figueiredo, 35 anos, que desde muito pequena sabe a importância desse gesto na vida de muita gente.

Mãe de dois filhos, ela conta que a ideia de se tornar uma doadora de leite sempre esteve em seus planos, algo que só veio se concretizar em 2017, durante a gestação do seu primeiro bebê. “Nessa mesma época, acabei conhecendo a Sílvia [Furlin], que coordena o Banco de Leite da maternidade. Ela me falou do trabalho realizado por eles e eu achei tudo aquilo genial. Já tinha essa vontade dentro de mim [de ser doadora] e já comecei a trabalhar isso desde o momento em que passei a montar o enxoval do meu filho”, completa.

Outro fator determinante, segundo Francis, foi as complicações que lhe ocorreram durante o parto. O seu primeiro filho (hoje com dois anos), precisou ficar internado na UTI Neonatal e nesse processo ele acabou recebendo o leite materno vindo de outra mãe.

“Meu filho acabou tendo uma parada cardíaca, fazendo com que ele fosse encaminhado para uma UTI Neonatal. Eu não pude nem pegar ele nos braços, mas graças a Deus ele ficou pouco tempo na maternidade e o fator determinante para ele levar alta foi que ele precisou tomar 5ml de leite. Esse leite foi provavelmente doado por alguma mãe doadora e a partir daí foi que a doação passou a ser uma dívida de vida”, explica.

Controle de qualidade

Conforme a coordenadora do BLH (Banco de Leite Humano), Sílvia Furlin, por ser responsável em atender a rede de saúde do Estado, o HMINSN segue uma série medidas de segurança sanitária para garantir a qualidade do leite que é doado.

“Esse processamento inclui algumas etapas de seleção e classificação, nas quais a gente avalia alterações como cheiro, cor, presença de sujidades desse leite, condições da embalagem e a gente faz a determinação da acidez”, destaca Sílvia Furlin.

Sílvia conta ainda que, após as diversas etapas de avaliação, o leite é submetido ao processo de pasteurização, que consiste na inativação térmica de microrganismos que possam estar presentes no alimento, evitando que ele venha causar agravos à saúde dos recém-nascido.

“Nesse processo, o leite é submetido a uma temperatura de 62º e meio, por um tempo de 30 minutos. Ao final dessa etapa, a gente realiza também o controle de qualidade microbiológico do leite, na qual se verifica a presença de coliformes totais e, ao fim dessa análise, só assim a gente encaminha para que seja distribuído”, detalha.

O Banco de Leite do HMINSN funciona 24 horas por dia. Qualquer dúvida sobre como funciona a doação de leite materno pode ser sanada no telefone (95) 98414-0772.