Sábado, 16 Mai 2020 15:30

FORÇA TAREFA NA AGRICULTURA Instituições parceiras fazem videoconferência para discutir estratégias de combate à doença na cultura da banana Destaque

Escrito por Ascom Seapa
Após receber orientação, o proprietário deve esperar entre dois e três anos para retornar ao cultivo da banana em segurança. Após receber orientação, o proprietário deve esperar entre dois e três anos para retornar ao cultivo da banana em segurança. Foto Seapa

Nessa sexta-feira, 15 de maio, instituições ligadas à produção, pesquisa e defesa da produção agropecuária, realizaram uma videoconferência para tratar do aparecimento de uma doença na banana, conhecida como Moko (Ralstonia Solanacearum), em uma propriedade localizada no Sul do Estado.

Representantes da Seapa(Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Mapa (Ministério da Agricultura), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Ader (Agência de Defesa Agropecuária) e professores do CCA (Centro de Ciência Agrária) da UFRR (Universidade Federal de Roraima) se reuniram virtualmente para tentar encontrar estratégias em conjunto para conter o avanço da doença no Estado.

Segundo o secretário da Seapa, Emerson Baú, a reunião demonstra que as instituições estão dispostas a dialogar e contribuir, para encontrar a melhor forma de combater a prega. “É uma praga silenciosa e agressiva, que pode causar um grande prejuízo para o agricultor e para Roraima que perde a sua produção e a fruta fica proibida de ser comercializada fora do Estado”, pontuou Emerson.

O superintendente do Mapa, Plácido Alves, explicou que o moko, já tinha sido detectado em Santa Maria do Boiaçu, em 2018, e que deve ser pensado agora como será feito os procedimentos. A propriedade em que foi detectada a doença fica localizada em Nova Colina, município de Rorainópolis, o agricultor precisou finalizar a produção da fruta e no lugar irá plantar outras culturas.

Após receber orientação, o proprietário deve esperar entre dois e três anos para retornar ao cultivo da banana em segurança. Por ser uma bactéria, a preocupação é dela já ter atingido outras propriedades. Durante a videoconferência, foi explicado que a disseminação do moko, ocorre também pela contaminação de frutas e mudas contaminadas, adquiridas de modo inapropriado.

Para o professor Leandro Neves, do Centro de Ciências Agrárias da UFRR, um dos meios de transmissão, seria o uso compartilhado das caixas para transporte, pois elas transitam entre o sul do Estado, capital e o estado vizinho o tempo todo. “Resolver esta questão seria uma maneira de tentar eliminar a proliferação da praga”, explicou o professor.

O presidente da Aderr, Gelb Platão, pontuou que por estarmos em plena pandemia, os trabalhos ficam mais difíceis, mas que primeiramente deve ser realizado um diagnóstico para trabalhar na tentativa de erradicar o foco. Em seguida, ele propôs utilizar a educação sanitária com a produção de material informativo. “O moko pode impactar negativamente a produção do Estado, por se espalhar rapidamente, precisamos fazer algo informativo e também, esterilizar as caixas compartilhadas que transportam estas bananas”, informou Gelb.

Representando a Embrapa, Edvan Alves Chagas, falou da importância da Aderr neste momento, ao reforçar as barreiras sanitárias, principalmente, dos produtos que vêm de Manaus/ AM, e da Seapa, com as Casas do produtor Rural, pois os técnicos por ter contato com os produtores rurais podem ser agentes disseminadores de informação, além disso, a instituição ofereceu capacitação para os técnicos da Secretaria de Agricultura para ajudar no controle dessa doença. “A Embrapa já está trabalhando nisso, pesquisas de métodos de manejo, o principal foco é erradicar a praga e incentivar que os produtores comprem mudas certificadas”, frisou o pesquisador.

Entre os assuntos que também foram levantados nesse primeiro encontro virtual para discutir o assunto, foi pensado no uso de caixas de papelão como alternativa, disseminar vídeos curtos com o tema de educação sanitária, para os agricultores do Estado.

O secretário da agricultura, Emerson Baú, agradeceu a participação de todos. “Precisamos pensar em conjunto, para que cada instituição assuma seu papel na construção de ações positivas e estratégicas para combatermos esta praga”.

MOKO DA BANANA

Segundo o site oficial do Mapa, o moko é uma doença causada pela bactéria Ralstonia solanacearum, raça 2. A disseminação da bactéria pode ocorrer de diferentes formas, dentre as quais se destacam o uso de ferramentas infectadas nas várias operações que fazem parte do trato dos pomares, bem como a contaminação de raiz para raiz ou do solo para a raiz. Outro veículo importante de transmissão são os insetos visitadores de inflorescências, tais como as abelhas, vespas, mosca-das-frutas.

A base principal do controle do moko é a detecção precoce da doença e a rápida erradicação das plantas infectadas como das que lhes são adjacentes, as quais embora aparentemente sadias podem ter contraído a doença.