REFUGIADOS VENEZUELANOS – Governo discute gestão do abrigo com Acnur

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Wesley Oliveira Fotos: Fernando Oliveira

 A governadora Suely Campos recebeu representantes do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) para tratar da gestão dos serviços nos abrigos q ue atendem aos venezuelanos índios e não-índios que estão, por hora, vivendo em Roraima. O encontro ocorreu ao final da tarde de segunda-feira, 6, no Palácio Senador Hélio Campos.

Na reunião a governadora Suely Campos, ressaltou que em 17 de outubro 2017, formalizou o pedido de apoio ao Governo Federal, reiterando pedidos de apoio enviados desde o início da crise migratória. “Considerando que a gestão dessa crise humanitária deve ser feita de forma colaborativa, com todas as esferas de governo, quero ressaltar que em outubro deste ano, reiterei um pedido de ajuda ao Governo Federal”, disse.

Preocupado com a situação de vulnerabilidade social em que se encontram os venezuelanos, mulheres, crianças, índios e não-indios, os representantes do Acnur no Brasil ressaltaram a importância do envolvimento dos governos municipal, estadual e federal no gerenciamento dessa crise humanitária, onde, mais de 14 mil venezuelanos solicitaram refúgio para viver no Estado.

“Estávamos muito preocupados com a situação de rua, onde há pessoas com risco de proteção. A retirada dessas pessoas da Rodoviária era absolutamente necessária para reduzir os riscos de proteção, sobretudo mulheres e crianças”, ressaltou Isabel Marques, do Acnur.

Ainda de acordo com Isabel Marques, a ONU [Organização das Nações Unidas] já vinha trabalhando a necessidade mapear as pessoas para encontrar um local adequado para se abrigarem. “Precisamos encontrar uma instituição que possa apoiar o Estado na Gestão do Abrigo e a Acnur está lá e outras agências da ONU também estão ajudando”, disse.

De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros de Roraima, coronel Doriedson Ribeiro, o Estado vem trabalhando efetivamente no abrigo e conta com a parceria de outras instituições. “Já estruturamos com barracas da Defesa Civil e estamos realizando um levantamento das pessoas e verificando suas necessidades de médicos e mercado de trabalho. Além disso, a Comunidade Caridade Sem Fronteira, da Igreja Adventista do Sétimo Dia vem nos apoiando com alimentação”, disse.

O comandante explicou que conta com o apoio da ONU. “A Agência veio para realmente nos apoiar nessas ações, com estudo que possam observar a possibilidade encaminhamentos do abrigo, além de buscar subsídios para que consigamos melhorar as condições do abrigo para os venezuelanos que ali se encontram”, disse.

OS ABRIGOS – Em outubro do ano passado o Governo do Estado instituiu o Gabinete Integrado de Gestão Migratória, que criou o CRI (Centro de Referência ao Imigrante), com capacidade para 250 pessoas.

No primeiro momento, o CRI foi implantado no Ginásio do Pintolândia e passou a abrigar venezuelanos que estavam em vulnerabilidade social nas ruas de Boa Vista. Entretanto, o governo estadual tem atuado na questão sozinho, sem a participação da prefeitura da Capital.

O CRI do Pintolândia vem passando por melhorias na estrutura física. Foram instaladas 29 barracas da Defesa Civil, que tem capacidade para 10 pessoas.

Com a retirada do grupo de venezuelanos que estava acomodado no entorno da Rodoviária Internacional de Boa Vista, o governo estadual criou um novo abrigo, também com capacidade para 250 pessoas. O Ginásio do Tancredo Neves passou a atender aos não-índios venezuelanos. Na área externa foram instaladas 20 barracas com capacidade para até 10 pessoas.

Outro abrigo foi implantado em Pacaraima. Dessa vez para atender somente aos índios venezuelanos que estão em trânsito pela cidade fronteiriça. O local foi cedido pelo Governo do Estado e passou por adaptações e a gestão tem apoio da Prefeitura do município e Organizações Não Governamentais.